Despedida

Terça-feira, 01 de Março de 2022, em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais…

Muito contra a minha vontade, infelizmente chega meu último dia em Conselheiro Lafaiete. Mesmo no quarto dia, a alegria, o bom humor e a leveza ainda prevalecem. No caminho para o sítio de Mara e Alexandre, com Hygor ao volante e Hyda ao seu lado, a boa música e as bobagens não param. Melissa e Simone seguem logo atrás, em outro veículo.

Hygor abre a porteira do sítio e logo somos muito bem recebidos por Alexandre que chega de moto. É impressionante. Há verde por todos os lados. O lugar é de uma beleza única, assim como a casa onde encontramos Mara e alguns familiares do casal. Balú, um Golden Retriever gigantesco, ganha meu coração imediatamente. Antes de tudo, eu e ele passaríamos um bom tempo no chão daquela deliciosa varanda.

Hyda faz a gentileza de me servir um copo bem gelado de Malzibier e se junta a mim e a Balú naquele piso refrescante. Petinha, uma princesinha Yorkshire, sobre a qual todos me alertam de seu gênio ruim, aceita vir ao meu colo, onde permaneceu um bom tempo tranquila, calma e serena, o que muitos olhavam e não compreendiam. Eu também não, pois não pareciam estar falando sobre o mesmo cachorro.

Mara nos convida para um apetitoso café da tarde. Aproveito para me empanturrar com o arroz doce maravilhoso feito por Hyda. Eu aguardava muito por aquele momento. Enquanto alimentava as minhas lombrigas, têm início as conversas sobre RAMA, mas estas, ainda que naturalmente saindo da superficialidade, se rendem à egrégora da alegria e da vontade de estarmos juntos, e assim ocorrem sempre em um ambiente de muita leveza e descontração.

A digestão é feita à base de ping-pong. Tenho a péssima ideia de aceitar jogar com os donos da casa e acabo levando uma surra feia da Mara, cujos gritos e risadas durante o jogo tornam-se facilmente a atração principal. Nada supera sua performance inesquecível e com isso todos esgotam seus estoques de riso por um bom tempo.

Escurece. Rapidamente, Alexandre providencia dois colchões e os coloca ao ar livre para contemplarmos o céu noturno junto com ele, um de seus hábitos invejáveis. O convite é inesperado e irresistível. Que surpresa e que oportunidade especial, bem nas últimas horas do meu último passeio. Se houvéssemos planejado, não teria dado tão certo.

Escolho deitar de costas para a casa principal. Ao meu lado esquerdo, Hygor. Logo atrás, Hyda. Mais atrás, à minha esquerda, Alexandre e Mara. A felicidade de Alexandre por estarmos ali com ele é algo que irradia e contagia. A cada satélite artificial que avistamos juntos, ele se certifica de que todos o estejamos vendo também. A beleza daquele céu e a simplicidade e alegria de Alexandre se encaixam perfeitamente e servem de inspiração para que eu lembre dos guias e os mentalize, pedindo a eles que, se estiverem presentes, se manifestem. Porém, logo em seguida, já esqueço meu pedido.

De rabo de olho, tenho a impressão de ver algo piscando no céu, à minha esquerda. Quando olho porém, nada acontece. Em seguida, também de rabo de olho, uma nova impressão. Desta vez penso ter visto algo rasgar o céu à minha direita. E, logo após, mais uma suposta piscada no céu, novamente à minha esquerda. Mais uma vez, olho e não vejo absolutamente nada. Comento com Hygor que devo estar enlouquecendo.

Um vagalume, muito mal intencionado, passa a nos rodear, dando a impressão de luzes surgirem no céu. Ele nos prega várias peças até começarmos a pegar o jeito dele. Despretensiosamente, olho para a minha esquerda e vejo algo piscar entre as estrelas. Antes de dizer qualquer coisa, aguardo. E lá está. Uma nova piscada!

Resolvo avisar a todos que um objeto encontra-se estacionado, aparentemente imóvel, bem acima de nós e um pouco à nossa frente, confortavelmente em nosso raio de visão. Assim que finalizo o aviso, outra luz corta o céu novamente à minha direita, como se estivesse confirmando o que acabara de ser dito. Todos passam a ver o objeto emitindo pulsos de luz regularmente. Ao mesmo tempo, outras luzes também são vistas pelas pessoas ali reunidas rasgando o céu em diferentes pontos.

Me levanto e passo a olhar fixamente para o objeto que continua a piscar regularmente. Automaticamente, me conecto com ele, não vendo praticamente mais nada do que poderia estar acontecendo ao seu redor. Observo e contabilizo cada pulso de luz. Meus amigos também observam e ajudam na contagem.

Resolvo dizer a todos que o que está acontecendo é muito importante, que, a meu ver, os guias haviam escolhido usar um tipo de interação, provavelmente uma nave, a qual não podia ser confundida com qualquer fenômeno aéreo conhecido, ou então com qualquer outro fenômeno natural. Deduzi que haviam entendido ser importante não deixarem qualquer dúvida sobre sua presença. Aquilo era mágico e muito inesperado. A alegria, a felicidade de estarmos juntos, acabavam de ganhar uma nova proporção.

O objeto acima de nós interagiu conosco por cerca de trinta minutos, totalizando aproximadamente setenta pulsos de luz, sem que eu tirasse os olhos dele por nem um segundo. Todos observamos que a intensidade das “piscadas” variava. Alguns pulsos de luz eram exatamente brilhantes. Outros, médios e alguns bem sutis.

Pudemos observar também que, já nos instantes finais de sua interação conosco, o objeto havia começado a se deslocar muito lentamente, saindo gradualmente do ponto onde encontrava-se aparentemente imóvel e deslocando-se entre as estrelas até deixarmos de vê-lo.

Logo após seu desaparecimento, mergulho no silêncio, buscando entrar em contato com o que estou pensando e sentindo após a visita mágica e inesperada. Não demora muito e surge um novo impulso, uma clara necessidade de convidar a todos para agradecermos juntos a presença dos nossos visitantes. Porém, antes que eu termine de formular a frase, o inesperado ganha um outro significado…

Sem aviso, um novo objeto voador, desta vez muito mais baixo, surge no céu à esquerda da casa, em altíssima velocidade, e desloca-se por um longo trecho em linha reta, como se fosse um rasante, deixando para trás uma cauda belíssima, perfeitamente retangular, tal como uma fita, de uma coloração verde clara extremamente luminosa, desaparecendo completamente à direita da casa e arrancando lágrimas de Hygor.

O espetáculo se dá justamente no momento em que estamos agradecendo. Porém, ao ocorrer antes do final da frase, fico com a impressão de que talvez estejam dizendo que o agradecimento não se faz necessário. A reação de todos é a mesma que já nos acompanha ao longo do dia todo: alegria. Mas, agora, definitivamente somada de assombro e gratidão. Quem poderia esperar uma visita dessas, uma interação tão próxima, longa e intensa conosco, assim como uma despedida tão espetacular?

O mais incrível: quiseram estar conosco. É impossível transmitir os sentimentos causados por isso. O significado será diferente para cada um. Porém, há também uma mensagem contida nessa visita. Mas, qual?

O que fez com que quisessem estar conosco? O que estávamos fazendo? Como estávamos fazendo? O que estávamos sentindo? O que buscávamos uns com os outros? O que isso tudo gerou para que viessem e ficassem ali aquele tempo todo? O que gerou e possibilitou uma despedida como aquela por parte deles? Que possamos pensar, sentir e desvendar, se é que este último é mesmo necessário…

Minha gratidão a Hyda Vanessa, a Serena e Luna, a Hygor Henrique, a Roberta Lopes, a Claudia Guimarães, a Marcus Dionízio, a Paulinho Demolidor, a Simone Santana, a Melissa, a Balú, a Mara Zebral e a Alexandre Resende por todos os abraços, risos, brincadeiras, papos sérios, comidas, bebidas, passeios e carinhos é imensa e eterna. Muito obrigado!

Minha gratidão aos guias por terem feito parte de tudo isso é indescritível e também imensa e eterna. Que alívio poder olhar para o céu e poder chamá-los novamente de meus amigos! Muito obrigado.

Roni Adame

10 comentários sobre “Despedida

  1. Relato incrível!!! Tudo foi descrito com riqueza de detalhes, pelo menos pra mim que acompanhei o processo , tudo se passou como um filme , que momento especial! Volte mais e mais vezes meu amigo! Seguimos semeando 🔮✨

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    1. A sensação é EXATAMENTE esta colocado pelo Hygor, ao ler seu relato, Roni: REVIVER MOMENTOS PRECIOSOS.
      Conseguir trazer ao coração e sentir novamente aqueles momentos é incrível e pode ser transformador.
      Não tenho como registrar em palavras o que sinto quando vivencio esse encontro de corações, que acontece de forma tão natural, quando nos permitimos a transparência, a leveza, os risos soltos, o simplesmente ser aquilo que “estamos/somos” com espontaneidade… Isso toca minha alma. É muito valoroso!
      Obrigada pelo presente de estar presente, ali, conosco, de forma tão despretensiosa.
      Uma “simples viagem” em um feriado prolongado pode se transformar nesta riqueza aí, quando nos permitimos o encontro, com a gente e com o outro, né?
      Que oportunidade ímpar, que presente fabuloso dos nossos amigos daqui e das estrelas.
      Sigamos!

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      1. Hyda Vanessa querida, você disse tudo. Só tenho a agradecer por tuas palavras, por teu apoio sempre incondicional, por teu acolhimento em tua casa, pelas conversas, pelos cafés com lêite quênte, pelo seu quintal, por tuas meninas, por tua alegria, por tua leveza, por tua compreensão e por teu amor…

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  2. Que lindo relato amigo Roni, sinto me honrado com sua visita e seu carinho para comigo e o espaço Paulinho Demolidor, espero que possamos ter muitos encontros de luz, grande abraço no coração!

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  3. Roni, meu querido, lindo demais, momentos mágicos, de muita pureza! A riqueza de detalhes nos permite participar das emoções… Que nostálgico!!
    Muito apropriado nos comentários dos queridos acima a ideia de “Sigamos”…
    Sigamos!! Gratidão por compartilhar! Grande abraço!

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  4. Nossa! Você foi narrando e eu fui mergulhando totalmente nas cenas, em uma experiência de diluição. Que história alegre, leve e bonita. Emocionante! Não da vontade de sair do cenário.
    Um grande a Viva ao privilégio de cultivar bons momentos na vida coroado pelos bons amigos até mesmo do espaço!
    Abs Roni querido.

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